terça-feira, 2 de dezembro de 2008

ELABORAÇÃO TEÓRICA DE SEARLE

Questões de Trabalho

1.De que modo John Roger Searle, continuador das reflexões teóricas de Austin, distancia-se tanto de Saussure quanto de Chomsky?

Searle distancia-se de Saussure ao sustentar que a enunciação está sujeita a regras convencionais e de Chomsky ao centralizar a abordagem na comunicação.

2. Qual é para Searle a unidade mínima de comunicação?

Diferentemente de Benveniste, que elege a frase como a unidade mínima do discurso, Searle situa a produção dessa como a unidade mínima da comunicação lingüística, ou seja, o ato de fala.

3. O que é para Searle falar uma língua?

É realizar atos de fala conformando-os a regras constitutivas.

4. Que regras são colocadas em evidencia sobre o uso dos marcadores da força ilocucionária?

Searle ordena-as em quatro rubricas: regras das condições sobre o conteúdo proposicional (uma promessa consiste na projeção de um ato futuro do locutor); das condições preparatórias(no caso da ordem, a regra requer que o ouvinte seja capaz de executar) ; das condições de sinceridade (no caso da asserção, que o locutor acredite não que afirma) e regra essencial (liga o fato bruto, ato de prometer, ao fato institucional que é que é a obrigação contraída).

5. Quais problemas são tratados por Searle na obra "Expression and Meaning"?

Searle focalizará problemas da filosofia da linguagem, a saber: atos de fala indiretos, o discurso ficçional e o uso metafórico da linguagem.

6.Como Searle explica os atos indiretos?

Searle invocará mecanismos justificados de maneira independente, tais como os princípios de cooperação de Grice, a teoria dos atos de fala e a racionalidade presumida dos ouvintes. Assim, o convidado a quem dizemos: "Pode passar-me o sal?", raciocina da seguinte forma: "Meu vizinho de mesa n o está interessado em minhas aptidões para a preensão como poderia estar um ortopedista. Por outro lado, sup e que ele coopere nesse empreendimento comum que é uma conversação. A capacidade prévia de realizar uma ação é uma condição prévia para a formulação do pedido. De tudo isso decorre que "Pode passar-me o sal?" deve ser tomado como um pedido educado e não como uma pergunta."

7. O que é o discurso ficcional para Searle?

É um jogo de linguagem separado, mas n o um tipo de ato ilocucionário. É um caso parasitário em relação aos outros usos. O que confere a uma obra o estatuto de ficção é um posicionamento do autor que, em vez de fazer asserções, atém-se a pretender faz -las.

8. Quais são os princípios colocados em evidencia para explicar as metáforas?

São os princípios gerais de comunicação. Diante da frase "Sally é uma pedra de gelo". Este enunciado é defeituoso se tomado literalmente. Ora, a máxima de cooperação nos autoriza a presumir que o locutor quis dizer algo sensato. Procuramos então outra pista.Mas s o inumeráveis as interpretaç es. Nesse ponto, Searle evidencia princípios de comunicação que permitem recortar em um conjunto de interpretações, um subconjunto de dimensão aceitável: "Quando você escuta ‘S é P ’ e ‘S’ n o pode ser tomado em seu sentido literal, procure maneiras pelas quais S (Sally, no exemplo) poderia ser P (uma pedra de gelo).

9.Como Searle entende a noção de sentido literal?

A reflexão sobre atos de fala indiretos, obras de ficção, metáfora e ironia, pressupõe a noção de sentido literal. Searle rejeita a vis o corrente de contexto zero e demonstra que para um grande número de frases não existe contexto zero, contexto nulo. Mesmo para interpretar uma frase t o trivial como "o gato está sobre o tapete", temos que nos apoiar num conjunto de pressuposições e de informações prévias concernentes ao contexto em que a frase foi enunciada de maneira apropriada. Temos, por exemplo,que excluir a situação em que o gato flutuaria no espaço, situação em que não poderíamos opor "sobre o tapete" e "sob o tapete."

10. Quantos e quais são os tipos de atos ilocucionários inventariados por Searle?

Searle elencou cinco tipos:
- assertivos - "Jo o anda."
- diretivos - "Ande."
- compromissivos - "Prometo vir."
- expressivos - "Sinto muito sua partida."
- declarativos – "O senhor é culpado."

11. Em que base repousa o conceito de "direção de ajustamento"?

Para que uma asserção seja "satisfeita", o enunciado precisa descrever a realidade e, portanto, conformar-se a esta realidade. Para que uma ordem seja satisfeita, ou seja, obedecida, é preciso que a realidade conforme-se, ajustes-se, frase. Há, portanto, 0s possíveis direções de ajustamento: PALAVRA-MUNDO (assertivos); MUNDO-PALAVRA (diretivos e compromissivos); DUPA DIREÇÃO (declarativos); DIREÇÃO NULA (expressivos).

12. Que aproximações Searle faz em sua obra Intencionalidade?

Searle compara os atos de fala (fazer asserções, pedir etc) aos estados intencionais (acreditar, desejar etc). A noção de direção de ajustamento também pode transposta para os estados intencionais. A crença como a intenção deve conformar-se realidade, o desejo, assim como o pedido, é satisfeito se a realidade conformar-se a ele; MENTE-MUNDO; MUNDO- MENTE.
Há uma conex o entre os atos de linguagem e o estado intencional que lhes corresponde. Assim, por exemplo, o ato ilocucionário de asserç o é a express o do estado intencional de crença. Essa conexão é lógica como prova o caráter paradoxal de "p, mas n o creio que p."

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